Portugal regista mais incêndios florestais em 2008

Já arderam mais de dois mil hectares do que em igual período do ano passado, avançou o presidente da subcomissão parlamentar de agricultura.

A base de dados nacional de incêndios florestais contêm em 2008, até ao dia 15 de Agosto, 7.271 ocorrências (1.353 incêndios florestais e 5.918 fogachos), que afectaram uma área total de 7.231 hectares, entre povoamentos (2.304 ha) e matos (4.927 ha).

Estes dados constam do relatório provisório da DGRF publicado na página oficial do ministério da agricultura, do desenvolvimento rural e das pescas.
Os incêndios já destruíram este ano, mais de dois mil hectares do que em igual período de 2007, mas a área florestal destruída decresceu, revelou à Agência Lusa, o presidente da subcomissão parlamentar de agricultura, Miguel Ginestal.

Com base no relatório provisório da DGRF, o histórico entre 1998 e 2008, do total de ocorrências e áreas ardidas é inferior a valores de anos anteriores, à excepção de 2007.
Comparando os registos do corrente ano com valores médios do decénio anterior registaram-se menos 9.300 ocorrências e arderam menos 104.291 hectares, correspondendo os valores do presente ano a 44% e 7% dos valores médios das ocorrências e área ardida dos últimos dez anos (até 15 de Agosto).

Refira-se que uma das metas estabelecidas no Plano Nacional de Defesa da Floresta contra incêndios, para depois de 2012 , consiste em não superar os 100 mil hectares de área ardida por ano.


Guarda com mais área ardida

Os maiores valores de área ardida até 15 de Agosto , verificaram-se nos Distritos da Guarda (1.264 ha) e Bragança (1.207 ha). O maior número de incêndios florestais ocorreu em Vila Real e Braga com (200 e 185 ocorrências). Porto e Viseu são os dois distritos mais afectados por fogachos, o primeiro com 1.191 registos e o segundo 612.

Da análise mensal do total de ocorrências entre Janeiro e até 15 de Agosto de 2008, verifica-se que nos primeiros quatro meses, os valores se aproximam dos valores médios dos últimos dez anos. Nos meses subsequentes registaram-se valores de ocorrências substancialmente inferiores à média. O resultado traduz-se num total, desde Janeiro de 2008, de menos 9.300 ocorrências do que a média do ultimo decénio.

No que diz respeito à área ardida, o mês de Agosto (até dia 15) destaca-se com uma diferença muito acentuada, tendo ardido menos 58.206 hectares que a média do decénio para esse intervalo. Por seu lado, Abril foi o mês menos favorável para estas contas, com mais 733 hectares de área ardida este ano, face à média dos últimos dez anos (1.485 ha em Abril de 2008 contra os 752 ha de média de 1998/2007).


Grandes incêndios Florestais

Para analisar os grandes incêndios, ocorridos desde 1998 foram produzidos gráficos comparativos, de ocorrências e área ardida, para as fases Alfa, Bravo e Charlie do dispositivo de combate a incêndios.

Na fase Alfa, o ano de 2000 é o que regista mais ocorrências e, consequentemente, maior valor de área ardida. Nessa mesma fase há registo de duas ocorrências em 2008 que consumiram cerca de 221 ha, isto é, aproximadamente 3% do total, ao contrário de 2007 onde não houve registo nesta fase do dispositivo, de incêndios desta dimensão.

Não há registo de grandes incêndios na fase Bravo de 2008. Por outro lado, na fase Charlie, até à data, registaram-se dois grandes incêndios que terão consumido cerca de 379 ha de povoamentos e 506 ha de matos.
Na totalidade dos quatro grandes incêndios, registados até 15 de Agosto, foi consumida uma área aproximada de 1.105 ha, cerca de 15,3% do total.


Números

  • 7.231 hectares arderam em Portugal, entre 1 de Janeiro e 15 de Agosto
  • 7.271 ocorrências de incêndios registadas desde o início do ano em Portugal
  • 1.977 ocorrências de incêndios foram registadas em Julho tornando-o o pior mês do ano, até agora
  • 1.264 hectares arderam no concelho da Guarda, este ano, o que faz dele o distrito com mais área ardida


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Diário de Aveiro, edição de 25-08-2008

25 de Agosto de 2008
por Ricardo Guerra - B.V. Aveiro-Velhos
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