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Notícias
 
CODIS de Aveiro respira de alívio
 
Dezenas de viaturas acidentadas. Vários carros em chamas. Mortos. Muitos feridos a serem retirados. Dezenas de pessoas perdidas no meio de um cenário de pânico, agravado pela chuva e pelo intenso nevoeiro. Foi esta a situação com que se deparou António Machado, comandante operacional distrital de Aveiro, quando chegou à A25, a meio da tarde de segunda-feira. Uma corrida contra o tempo para salvar vidas, num ambiente aterrador, exigiu serenidade ao homem-forte das operações de socorro do distrito.
 

O responsável pelo Comando Distrital de Operações de Socorro encontrava-se no edifício do Governo Civil em Aveiro, "a conversar com o segundo CODIS", quando, às 16h09, recebeu o alerta do acidente. Dada a dimensão da tragédia, António Machado teve alguma dificuldade em aceder ao local (nó das Talhadas da A25), mas, ainda assim, em contra-relógio, percorreu os cerca de 35 quilómetros em 20 minutos.

O primeiro alerta foi do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes). "Depois percebemos que a coisa era complicada e movimentámos os nossos meios", refere o responsável pela Protecção Civil de Aveiro. António Machado salienta a rápida intervenção do INEM que, além da montagem do posto médico avançado, fez chegar rapidamente ao local do acidente a VMER (viatura médica de emergência e reanimação) e que foi reforçando o apoio.

"Serenidade" é obrigatória num desastre desta envergadura. António Machado lembra que "a situação mais grave era o incêndio e essa era também uma das prioridades". Em entrevista ao DN disse que a "principal preocupação no local era desencarcerar (três carros), apagar o incêndio e tratar as vítimas".

No início, instalou-se o pânico na A25. Mas quando o comandante do CDOS chegou, já lá estavam alguns corpos de bombeiros e os ânimos estavam a serenar. Os feridos passaram por uma fase de triagem e foram retirados. "Depois havia muita gente que não estava ferida, mas que tinha participado naquilo tudo e estava perdida. Foi também complicado repor a situação dessas pessoas", conta, sereno, António Machado, 24 horas depois do acidente.

Segundo o comandante, a coordenação dos meios de socorro, entre as várias corporações, "resolveu-se rapidamente". A intervenção da Protecção Civil de Aveiro passou, numa primeira fase, por montar um posto de comando no nó das Talhadas. Seguiu-se a inventariação de meios. "Depois foi necessário sectorizar o acidente e atribuir canais de manobra, gerindo toda a situação."

A formação e a experiência das equipas de socorro são essenciais numa operação assim. "Nós temos de estar preparados para este tipo de situações. As equipas que intervêm estão preparadas para o pior dos cenários, e foi o que aconteceu. Têm, no fundo, alguma frieza neste tipo de situações", diz António Machado.

Dois acidentes em cadeia em sentidos opostos da via (Aveiro-Viseu e Viseu-Aveiro), a uma distância de cerca de 1500 metros, obrigaram a uma eficaz coordenação das várias equipas que acorreram ao local: mais de 180 bombeiros dos distritos de Aveiro e Viseu, 18 médicos e vários psicólogos.

António Machado tinha a responsabilidade de garantir que as vítimas recebiam depressa a assistência. "Não foi fácil lidar com a situação. É necessário definir objectivos e prioridades. Acho que correu bem, evidentemente que nunca corre como nós queremos, mas acho que dentro do cenário as coisas correram bem."

 
in Diário de Notícias, edição de 25 de Agosto de 2010 (foto cortesia de DN Portugal)